Novas estratégias para impulsionar a produção, os serviços de pós-venda e a disponibilidade de peças para os clientes dos setores marítimo e energético do Brasil foram o tema central de um encontro organizado pela Pelagus e pela Belga Marine no Rio de Janeiro, em 16 de abril.
O evento “Reinventando a Cadeia de Suprimentos de Peças de Reposição” reuniu fabricantes de equipamentos originais (OEMs) e proprietários de ativos para discutir os desafios impostos pelos longos prazos de entrega, pelas interrupções na cadeia de suprimentos e pelos gargalos operacionais no Brasil. Espera-se que o evento sirva de modelo para iniciativas semelhantes em outros locais.
A Pelagus, uma joint venture entre a thyssenkrupp e a Wilhelmsen, trabalha com fabricantes de equipamentos originais (OEMs) e fabricantes terceirizados para possibilitar a produção de peças sob demanda, por meio de manufatura convencional e aditiva. A Belga Marine mantém uma parceria com a Pelagus no mercado brasileiro.
Bjorn Madsen, diretor comercial da Pelagus, Adhemar Freire, consultor sênior de energia para o Brasil da Norwegian Energy Partners, e Jan Lomholdt, cônsul honorário da Suécia e diretor executivo da Belga Marine, deram início ao que se revelou uma noite instigante.
“No Brasil, vemos muitas oportunidades relacionadas a ativos em processo de envelhecimento. Os equipamentos estão ficando mais antigos e, em muitos casos, há pouca disposição para investir em reformas ou nas atualizações mais recentes quando uma embarcação talvez tenha apenas mais um ou dois anos de vida útil. Portanto, faz sentido oferecer opções de prolongamento da vida útil dos equipamentos, continuando a atender o portfólio de produtos antigos por meio da fabricação sob demanda”, afirmou Madsen
“É nesse ponto que os fabricantes originais (OEMs) podem considerar modelos como a fabricação sob demanda para atender melhor seus clientes. Trata-se de ter mecanismos em vigor para construir um ecossistema mais resiliente, capaz de lidar com as nuances da gestão de ativos em processo de envelhecimento.”
Em um painel intitulado “Construindo Modelos Resilientes de Pós-venda no Brasil”, Thales Moran, chefe de operações de FPSO e suporte técnico e gerente de ativos da Altera & Ocyan, Denis Morais, chefe de vendas de pós-venda para a América do Sul da Kongsberg Maritime, e Gabriel Siqueira, gerente geral de ciclo de vida para a América Latina da Wärtsilä, discutiram o mercado de pós-venda no Brasil. Eles exploraram como esse ecossistema poderia evoluir de modelos tradicionais de peças de reposição — lentos e importados — para modelos de serviço mais rápidos, inteligentes, locais e colaborativos, possibilitados por ferramentas digitais e manufatura aditiva.
Os participantes do painel também analisaram os desafios atuais do mercado de peças e serviços de reposição no Brasil, bem como os pontos em que os modelos tradicionais de atendimento funcionam bem e aqueles em que enfrentam dificuldades.
“As discussões abordaram uma nova maneira de encarar as cadeias de suprimentos em 2026”, disse Lomholdt. “Já vimos o potencial da manufatura aditiva e da manufatura sob demanda como uma forma de agilizar os processos. Entrega mais rápida, menor tempo de espera, produção local. Ao trabalhar em conjunto com fornecedores de tecnologia, os fabricantes de equipamentos originais (OEMs), fornecedores e operadores abrirão caminho para uma maneira melhor de fazer as coisas no futuro. Eles poderão economizar dinheiro, aumentar a receita e ter um ambiente mais seguro.”
O evento atraiu mais de 50 participantes, incluindo fabricantes de equipamentos originais (OEMs), usuários finais e especialistas em tecnologia, criando um fórum intersetorial para explorar novos modelos de mercado de reposição mais resilientes no Brasil.
“Ficamos muito satisfeitos com o excepcional envolvimento dos participantes do evento em relação a esse tema crucial”, afirmou Madsen. “Isso também serviu de modelo para discussões colaborativas em outros mercados, à medida que a Pelagus reforça sua proposta de inventários digitais que permitem aos fabricantes de equipamentos originais (OEMs) dos setores marítimo e energético armazenar e compartilhar com segurança projetos de peças antigas com fabricantes aprovados, a fim de reduzir os prazos de entrega e proteger os usuários finais contra os riscos do mercado paralelo.”
